Theme Preview Rss

Semirário - Reforma do Código Florestal - Luiz Henrique da Silveira

FCO-Rural cria linha para agricultura sustentável


O Fundo Constitucional do Centro-Oeste Rural (FCO-Rural) criou mais uma linha voltada para a Regularização Ambiental, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de pastagens, entre outras atividades cujo objetivo é reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Trata-se da linha ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que também pode ser contratada com recursos próprios do Banco do Brasil e do BNDES. A nova linha para o FCO Rural foi aprovada dia 22 de setembro pelo Conselho Deliberativo do Fundo do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Condel), mas ainda precisa ser regulamentada.
A linha ABC faz parte do Programa para Redução da Emissão de Gases e Efeito Estufa na Agricultura (Programa ABC), criado desde a safra 2010/2011 pelo Banco Central do Brasil. O objetivo é financiar práticas agrícolas adequadas, com tecnologias adaptadas e sistemas produtivos eficientes que contribuam para mitigar a emissão dos gases de efeito estufa na atmosfera.
Os beneficiários são produtores rurais, na condição de pessoas físicas e jurídicas, suas cooperativas de produção e associações de produtores, desde que se dediquem à atividade produtiva no setor rural.
O Sistema FAMATO orienta aos produtores interessados que procurem os agentes financeiros para conhecer as condições e benefícios que cada fonte de recurso do ABC oferece, seja pelo FCO, BNDES ou recursos próprios do Banco do Brasil. Os produtores devem apresentar os projetos para a fonte de recurso que julgarem mais interessante.

Assessoria de Comunicação do Sistema FAMATO / SENAR-MThttp://www.sistemafamato.org.br/site/

Programa Mais Floresta ganha força no MS

Uma renda extra na agricultura é sempre benvinda, tanto para pequenos como médios e grandes produtores rurais. Eles cultivam lavouras de grãos, pomares, desenvolvem a pecuária, e os gastos são sempre consideráveis frente às receitas, sujeitas às variações de preços dos produtos agrícolas. Isto é agravado quando ocorrem perturbações climáticas que põem em risco a atividade agropecuária. Uma alternativa viável, diversificada e rentável seria a inclusão de outra atividade integrada, ou seja, o cultivo de florestas. O estado do Mato Grosso do Sul (MS) vem desenvolvendo esta atividade com a criação do Programa Mais Floresta, a cargo da FAMASUL, SENAR-MS e Sindicatos Rurais deste Estado.

Com o Mais Floresta, os produtores rurais recebem orientação sobre a viabilidade do plantio de florestas, integrando lavoura, pecuária e floresta. Para o plantio da floresta, o produtor deve elaborar projetos e investir no cultivo de eucalipto e seringueira. O estado do MS possui 300 mil hectares de florestas plantadas e pretende atingir, até o ano de 2030, cerca de 1 milhão de hectares. A tão falada renda extra para o produtor encontra embasamento nestes cultivos, já que a seringueira é importante para a indústria de pneus.

Esta indústria consome 70% da produção mundial de borracha e a expectativa de crescimento da frota no Brasil aumentará a demanda, onde o nosso País produz menos de 30% da borracha consumida. Isto é um alento e uma motivação para quem quer ampliar seus negócios no campo. Por ora, o número de seringueiras, no Brasil, atinge 50 milhões de plantas em produção, e para cada 3 mil plantas há geração de um emprego. É um setor que está em grande expansão e que compensa o retorno do investimento. O SENAR/MS instrui produtores e pecuaristas no cultivo de eucalipto e seringueira visando aumentar a renda e tornar a agricultura mais sustentável.

Os participantes recebem instruções sobre as linhas de financiamento para o plantio de florestas, sobre o mercado da borracha natural e a rentabilidade que a cultura da seringueira proporciona, sobre o manejo do seringal e a rentabilidade da atividade pecuária com eucalipto. O programa Mais Floresta que tem como objetivo o plantio de 1 milhão de hectares até 2030 tem os seguintes parceiros: Painel Florestal, Polifer, Banco do Brasil, BRDE, Reflore MS, Sebrae, Sociedade Brasileira de Agrossilvicultura, Universidade Federal da Grande Dourados.

Estudo mostra evolução das florestas de 11 países


"Se o desmatamento continuar assim, em 10 anos teremos perdido algo perto a 12 vezes o Estado do Rio"

A Suécia tinha 56% de cobertura florestal em 1950 e hoje tem 69%. A China tinha entre 5% a 9% de florestas originais e plantadas há 60 anos, e hoje, com o intenso esforço de reflorestar, aumentou o percentual para 22%. O dado polonês era 24%, hoje é 30%. A idéia de que só o Brasil protege suas florestas e que os outros acabaram com elas para se desenvolver, argumento forte da bancada ruralista ao propor mudanças no Código Florestal, está em xeque em um estudo divulgado ontem pelo Greenpeace. O trabalho faz uma comparação do que aconteceu e o que acontece com as florestas de onze nações.
O estudo foi assinado por dois importantes institutos de pesquisa em floresta, o brasileiro Imazon e o britânico Pro Forest, ligado à Universidade de Oxford. Um dos objetivos era investigar "o quanto de verdade existe por trás de uma antiga crença - a de que o Código Florestal, como a jabuticaba, é só nosso", diz o prólogo do estudo. A intenção era descobrir qual a trajetória das florestas de cada país, qual o marco legal em relação ao desmatamento e quais os incentivos para quem quer reflorestar.
Alguns países foram escolhidos porque são potências econômicas e também pelo tamanho do território, como China e Estados Unidos. A China, além do fato de ser a principal potência emergente contemporânea e ter desmatado muito até recentemente, está em curva ascendente sob o ponto de vista de cobrir de verde suas terras. Os EUA não poderiam faltar: o país desmatou apenas 1% em 100 anos, mas "é o que mais produz GRÃOS no mundo", lembra Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace. Também estão no estudo Alemanha, França e Japão, Índia, Indonésia, Holanda, Polônia, Suécia e Reino Unido.
Em 1948, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil tinha mais de 90% de seu território coberto, diz Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do estudo. Hoje, este percentual está em 56%. "Proporcionalmente, o Brasil tem menos floresta que Japão e Suécia", diz ele. O caso japonês é surpreendente: país pequeno e populoso tem 69% de cobertura vegetal.
Segundo a FAO, o Brasil continua desmatando a uma taxa de 0,6% ao ano. "Se continuar assim, em 10 anos teremos perdido algo perto a 12 vezes o Estado do Rio de Janeiro", diz Veríssimo.
O estudo mostra que a trajetória florestal dos países começa muito alta e depois há um decréscimo bastante relacionado à expansão da agricultura, diz Adario. Com a percepção de que o desmatamento prejudica a própria produção agrícola, ocorre pressão da sociedade e a curva muda de direção. Entre os 11 países analisados, apenas a Indonésia prossegue desmatando. "O Brasil não estabilizou o desmatamento, continua caminhando ladeira abaixo", diz ele. "Temos que discutir exatamente isso: o Brasil quer ser moderno e manter floresta ou o quê?"
"O estudo é uma contribuição ao debate", diz Adario. "Mas o debate esteve marcado por premissas falsas, que, de tanto repetidas, viraram verdadeiras." Uma delas é que o marco legal brasileiro amarra os proprietários, a agricultura nacional e que o País é único no mundo a proceder assim, diz. "O trabalho do Imazon-Proforest demonstra que isso não é verdade."
Ele lembra que, na França, a conversão de florestas em terras particulares tem de ser justificada, e só pode ocorrer em áreas de até quatro hectares. Na Índia, onde quase todas as áreas florestais são estatais, uma decisão do governo central não pode ser revertida pelos Estados. O Código Florestal japonês não permite a conversão de florestas estatais ou privadas, exceto em casos muito específicos e raros. No Reino Unido, derrubar floresta para a agricultura não é permitido. A lei florestal chinesa, no geral, impede que florestas sejam suprimidas para dar lugar à mineração ou projetos de infra-estrutura.

Da Matéria-Prima ao bombom


O dono da maior rede de chocolataria do País vai para o campo plantar cacau. Ele quer suprir sua demanda, de seis mil toneladas por ano


Vera Ondei
Na manhã de uma sexta-feira de julho, o empresário Alexandre Costa, dono da marca de chocolate Cacau Show, deixou o escritório em Itapevi (SP), onde está localizada uma de suas quatro fábricas, e tomou um avião para Linhares, no Espírito Santo. Costa foi assinar as escrituras da compra de três fazendas, em sociedade com dois produtores da região, Paulo Gonçalves e Luciano França. Somadas, a Dedo de Deus, a Ceará e a São José ocupam uma área de 1.216 hectares. Costa e os sócios não revelam quanto foi investido, mas o preço médio da terra no Espírito Santo, segundo consultorias do mercado, é de R$ 6 mil por hectare, o que daria um valor acima de R$ 7 milhões pelas três propriedades. "O produtor de cacau não conhece nada de chocolate, o chocolateiro não conhece nada de cacau", diz Costa. "O que estamos fazendo é integrar esses dois mundos."

Foto: Laílson Santos
Chocolate na Cabeça: "a produção própria de cacau nas fazendas será para atender consumidores cada vez mais exigentes na hora da compra", afirma Costa

A história desse empreendedor paulistano começou quando ele tinha 17 anos e decidiu fabricar chocolates no fundo de sua casa para vender de porta em porta. Resultado: 23 anos depois, Costa, hoje com 40 anos de idade, transformou a pequena chocolataria em uma das principais redes de franquias do País, com 1.050 lojas e receitas de R$ 1 bilhão em 2010. "Somos as Havaianas do chocolate", diz ele, numa alusão à marca das sandálias de borracha mais populares do País que ganhou o mundo como um produto de moda, nos pés de celebridades hollywoodianas. No início deste ano, o chocolateiro Costa - que tem um corpo magro, apesar de comer meia dúzia de bombons todos os dias -, foi o único representante do Brasil na categoria máster da premiação mundial da Ernst & Young World Entrepreneur of The Year, em Monte Carlo, no principado de Mônaco, no sul da França. Ele ficou entre os cinco destaques mundiais.
A decisão de se tornar fazendeiro e verticalizar a produção da Cacau Show começou a nascer em 2008, quando o empresário escreveu um livro para comemorar os 20 anos da marca no mercado. Para contar a história do chocolate, ele percorreu, por quase seis meses, mais de cinco mil quilômetros nas principais regiões produtoras de cacau do País. "Queria mostrar essa história para começar a criar um legado sobre esse doce que vem do cacau", diz Costa. Outro motivo foi preparar a Cacau Show para o que está acontecendo na outra ponta da cadeia produtiva, o mercado consumidor. O advento do chocolate de maior teor de cacau está modificando rapidamente a história de consumo no País. "O consumidor está mais exigente na hora da compra", afirma Costa. "Isso é uma novidade que não tem mais de cinco anos." Segundo ele, o que sempre ocorreu na indústria do chocolate é que o consumidor brasileiro acostumou-se, historicamente, a comer um produto pouco sofisticado, que em média leva apenas 15% de massa de cacau - caso do chocolate ao leite. "Isso foi sempre um entrave para a produção de uma amêndoa de melhor qualidade e, consequentemente, de um produto final mais sofisticado", diz Costa. "Agora, vamos ter uma produção própria de matéria-prima capaz de atender a esse mercado emergente."
Além de um mercado pequeno para chocolates mais finos, que impedia a criação de uma demanda em escala mais elevada, a fraca produção de amêndoas de cacau superior também pode ser creditada à vassoura-de-bruxa, nome popular de um fungo capaz de destruir plantações inteiras. A praga, que chegou à Bahia em 1989, causa o apodrecimento de partes da planta, como as folhas e os frutos. Em dez anos, a produção nacional caiu de 320,5 mil toneladas por ano para menos de 100 mil toneladas, segundo dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão vinculado ao ministério da Agricultura. Com o controle mais efetivo da praga nos últimos quatro anos, a retomada vem acontecendo. Na safra 2009-2010, a produção ficou na faixa de 240 mil toneladas de amêndoas, a maior safra dos últimos 16 anos. "O cacauicultor teve dois problemas: a produção caiu e o preço diminuiu", diz Costa. "Então muitos faliram. E quem não faliu entrega esse cacau mediano."
Vera Ondei
Fotos: Marco Ankosqui
Fotos: Marco Ankosqui
Parceria: Gonçalves (à esq.), da fazenda Floresta Rio Doce, está investindo R$ 20 milhões em uma fábrica de liquor, o chocolate semiacabado, e vai fornecer parte dele para a fábrica da Cacau Show em Itapevi (SP)
Costa e seus dois sócios começam a empreitada com 800 hectares plantados nas fazendas Ceará e São José. A produtividade atual, de 50 arrobas (750 quilos) por hectare- ano é considerada baixa. Por isso, a prioridade nessas propriedades tem sido a renovação dos pés da fruta, enxertando-os com uma variedade de cacau mais produtiva e resistente à vassoura-debruxa. Nas duas fazendas, o plantio é em sistema cabruca, pelo qual se cultiva o cacau em morros parcialmente desmatados. Nessas áreas não há a menor chance de automatizar qualquer parte do processo produtivo. "Por isso compramos a fazenda Dedo de Deus, uma beleza de área", diz Costa. A ideia é preparar a área de 116 hectares para que a Dedo de Deus seja uma fazenda-modelo de plantação a pleno sol, totalmente mecanizada. A nova fazenda deve produzir 200 arrobas por hectare, quatro vezes mais do que o obtido nas fazendas Ceará e São José, e o quíntuplo da média no Espírito Santo. "A Dedo de Deus está sendo planejada para ser um centro de difusão de tecnologia dessa plantação, a pleno sol, na região", diz Costa.
Outro investimento na mira da Cacau Show é o processamento do liquor, ou massa de cacau, o produto semiacabado - que é o cacau esmagado, depois de torrado. As empresas que realizam o processo recebem a amêndoa de todo tipo de fazenda, onde se pratica uma fermentação sem regras. "E mais, tudo o que chega nas empresas passa pela mesma temperatura e pela mesma torra", diz Costa. Por isso, com um dos parceiros, o produtor Paulo Gonçalves, da fazenda Floresta do Rio Doce, os negócios vão além. A Rio Doce, que processa o liquor, vai vender parte de sua produção à Cacau Show. Gonçalves comanda hoje uma das empresas que mais tem investido no Espírito Santo nesse segmento de mercado. Até o final de 2011, a Rio Doce vai desembolsar R$ 20 milhões, em instalações de uma nova fábrica, construída em parceria com a Puratos Brasil, empresa de origem belga. "Nosso foco é o mercado gourmet europeu e também empresas como a Cacau Show", diz Gonçalves. O projeto da Rio Doce é fornecer o cacau para os fabricantes de chocolate, com informações sobre a fazenda onde ele é cultivado, o nome da propriedade e a variedade da amêndoa plantada. O conjunto dessas informações, denominado rastreamento, é levado aos consumidores nos rótulos das embalagens do chocolate."No futuro, o cacau de Linhares será um produto com selo de origem rastreada", diz Costa. "E nós também estaremos nesse projeto com a Rio Doce."
Modelo em Linhares: a fazenda Dedo de Deus está sendo preparada para se tornar um centro de difusão de tecnologia, na região, em cultivo de cacau a pleno sol
Atualmente, a Cacau Show consome seis mil toneladas de liquor por ano, que depois de processado se transforma em 12 mil toneladas de chocolate pronto para o consumo. "Hoje, compramos um produto vendido como commodity, sem nenhuma especificação de origem", diz. Costa afirma que o mercado de chocolates rastreados na Europa, por exemplo, está muito mais adiantado que no Brasil. "Indústrias belgas, como a Barry Callebaut, já vendem chocolate com informações sobre sua origem há muito tempo", afirma. Os planos do empresário, para a Cacau Show, que neste ano já viajou seis vezes para fora do Brasil, entre Bélgica, Estados Unidos, Alemanha e Suíça em busca de equipamentos e atualização no setor, se traduzem na busca de mais consumidores de chocolate. Na Bélgica, ele está em vias de se tornar sócio de uma empresa local."Queremos ter um braço fora do País", afirma. No Brasil, ele já avisou os franqueados: quer uma loja da Cacau Show na favela do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. "Quer coisa mais chique que isso, de Linhares para o Alemão?"

Cacau no mundo
No mundo, a cadeia do agronegócio do cacau movimenta US$ 60 bilhões por ano. Sete países detêm 90% da produção de amêndoas de cacau, estimada em 3,6 milhões de toneladas na safra 2009-2010, segundo dados da International Cocoa Organization (ICCO), com sede em Londres. Quatro deles estão na África: Costa do Marfim - o maior produtor mundial, com 1,1 milhão de toneladas Gana, Nigéria e Camarões, respectivamente, em segundo, quarto e quinto lugares (em terceiro, Indonésia). Mas esses países enfrentam problemas como baixo uso de tecnologias, pouca oferta de novas áreas agricultáveis, além de ser uma região de muitos conflitos sociais e evasão rural acentuada.
O Brasil é o sexto maior produtor, com as suas atuais 240 mil toneladas. "Mas temos capacidade de produzir muito mais", afirma Adonias de Castro Virgens Filho, diretor do Centro de Pesquisa do Cacau, no Ceplac, em Ilhéus (BA). Segundo ele, nos próximos dez anos, para acompanhar a demanda mundial, será necessário produzir um milhão de toneladas de cacau a mais. O aumento equivale a incorporar à atual área cultivada novos 200 mil hectares de lavouras a cada ano. É essa a oportunidade para o País.

Produtores de celulose planejam produzir etanol a partir do eucalipto

Criador de aves em Vitória da Conquista investe em galinhas ornamentais

Como chegar

Como chegar